Rodrigo Brand - Luz do Dia
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Luz do Dia

 

Acordou. Era um dia nublado. Foi à janela sentir o ar – o mar faz bem. As ondas, mansas, batiam contra a costa. Ou seria a seu favor? Algumas gotas batiam contra o telhado. Também mansas. Uma chuva branda, quase invisível. Tudo conspirava a favor de uma certa quietude. Os ânimos se acalmam em dias nublados. Fez um café. Café de meia. De coador. O cheiro tomou conta da casa. O silêncio fez refletir. Pensou no que era importante. Trabalho família amigos dinheiro carreira o mar amor cama dormir filmes livros viajar o que? O que é importante? Realmente importante? Não sabia que horas eram. Podia ser dez da manhã. Podia ser três da tarde. Sem um relógio não tinha como saber. Melhor assim. Melhor assim. Talvez devesse viver de acordo com o tempo não marcado. Talvez devesse viver de acordo com o que sentia. O paraíso poderia ser aqui, e porque não? Um café… um livro… o mar… um amor… Coisas simples. Viver de coisas simples. Viver de coisas simples. Viver… quase como um mantra. A gente se perde por aí. A gente se esquece. É uma selva lá fora – dizem. É necessário um abrigo. Um porto. Um norte. É necessário se saber. Saber o que é importante. É necessário… sobre-viver. Olhou para o mar. Ali, quase eterno. Indo e vindo. Um verdadeiro viajante. Com suas marés. Conhecedor de todos os continentes. O mar sabia. A natureza sabe. Colocou o café na mesa. Saiu. Como havia acordado. Como havia nascido. Nu. Como o mar. E foi ao seu encontro.

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